Africa Livre #02 – O Grande Zimbábue

0 Postado por - 28/03/2012 - Audio, obailetodo, Podcasts

O Grande Zinbábue foi um Estado importante que floresceu no Século XIII em decorrencia da mineração aurífera. Tecidos, contas, porcelanas e outros produtos orientais, inclusive chineses, foram encontrados em suas ruínas por caçadores de tesouros e arqueólogos. O que indica que apesar da distância – um mês de viagem de Sofala, a cidade portuária por onde entravam as mercadorias – havia um frutífero comércio. O Grande Zimbábue estava localizado onde hoje estão hoje Zimbábue e Zambia pós-colonial. Contudo, as rotas do abastecimento comercial passava pelo território do que hoje é Moçambique.

A capital desta sociedade é marcada por edifícios e muralhas de pedra que impressiona pelas suas dimensões. A muralha do Grande Cercado, a edificação mais majestosa do conjunto arquitetônico da antiga capital, tem altura de cerca de sete metros e uma lagura de cinco metros e meio na base. As ruinas do Grande Cercado ilustra o nosso podcast dessa semana.

Já deu para perceber que no podcast de hoje homenagearemos artistas oriundos destes três países. Contudo, optamos por acrescentar uma atração musical do Malawi para fechar a conta dos quatro países africanos por programa. E como é um país próximo dos três países anteriores, não ficaria tão fora de contexto assim. Temos uma novidade, mande sugestões para o nosso email: africalivre@yahoo.com.br.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.


download

Musícas do Programa:
Oliver Mtukudzi  –  Dzoka uyamwe // Todi
Amayenge – Dyress // Chabu mpelenge // Ntambi
Esau Mwamwaya & Radioclit – Cape cod kwassa kwassa // Salota
Ghorwane – Majurugenta // Massotcha

 

De voz rouca e profunda, com um talento nato para escrever canções sobre vida cotidiana e as lutas do povo, Oliver Mtukudzi começou a atuar em 1977, aos 25 anos, quando juntou-se aos Wagon Wheels, uma importante banda Zimbabueana. Sua música Dzandimomotera foi premiada com o disco de ouro e logo seguida pelo primeiro album “Tuku” de maior sucesso. Devido a sigularidade vocal, ele tornou-se a voz mais conhecida do Zimbabue no cenário internacional. Cantada em shona – lingua mais falada no Zimbabue –, além do ndebele e inglês, sua música incorpora elementos de tradições musicais locais. Denominada “Tuku” pelo fans, algumas de suas músicas serviram como crítica popular ao governo autoritário de Robert Mugabe, um dos mais antigos ditadores do continente.

A Republica do Zimbabwe faz fronteira com a Zâmbia, Moçambique, África do Sul e Botswana. Sua capital é Harare. No final do século XIX, os britânicos chegaram para colonizar a região atraídos pela mineração. Com significativa população branca, em 1921 se proclamou colônia autônoma da Rodésia do Sul. Em 1964, depois da concessão de independencia à Zambia e ao Malawi, a Rodésia se recusou a cerder o poder para a maioria africana. Um ano depois, o primeiro-ministro da Rodésia do Sul, Ian Smith, declarou unilateralmente a independência em 11 de novembro de 1965 e promulgou uma nova constituição para a República da Rodésia. A independência só viria quinze anos depois de uma guerra sangrenta, em 18 de abril de 1980. O país possui tres linguas oficiais: shona, shindebele e inglês. Entre as religiões cristãs, figuram um significativo numero de rastafaris, cerca de dez mil segundo estimativas.

 

Amayenge é o nome de um grupo de música popular da Zâmbia. Iniciado por Kris Chali em 1978. A banda foi originalmente chamada News Crossbones. O estilo musical do grupo é chamado kalindula, um estilo popular marcante da Zâmbia com raízes tradicionais africanas. Chali morreu 30 de maio de 2003, mas a banda continuou com Fraser Chilembo, seu novo líder. Kalindula é um estilo musical da Zâmbia que era originalmente tocado com “banjos”, um baixo de 4 cordas (chamado de “mbabadoni ‘ou’ kalindula ‘), tambores Ngoma, chocalhos chisekele e sinos de metal. A guitarra ocidental e a bateria substituíram os banjos caseiros e os tambores utilizados anteriormente. Amayenge vem dominando o cenário musical da Zâmbia nas duas ultima décadas. Sua música é um instrumento de união para os 73 grupos linguísticos da Zâmbia e faz a nação inteira sentir uma vibração única.

A República da Zâmbia é um país quase no centro da África austral. É vizinha da República Democrática do Congo, Tanzânia, Malawi, Moçambique, Zimbábue, Botswana, Namíbia e Angola. O desejo português de possuir um território ligando as duas regiões costeira do continente africano desencadeou o interesse europeu sobre a região no século XIX. Os planos lusitanos foram cancelados com a chegada de missionários e exploradores britânicos, como David Livingstone e Cecil Rhodes, que garantiram a influência inglesa na região. Rhodes obteve o direito de exploraros recursos minerais no território e fundou, em 1888, as colônias britânicas da Rodésia do Norte (a Zâmbia de hoje) e da Rodésia do Sul (o Zimbabwe). Só em 1964 a Rodésia do Norte tornaria-se independente e mudaria o nome para Zambia.

 

Esau Mwamwaya é um músico do Malawi. Famoso por sua colaboração no The Very Best um album singular gravado com a dupla lodrina Radioclit. Sua música é descrita como uma mistura de Afro-ocidental, Hip Hop, Pop e Musica Traditional do Malawi. Ele nasceu em Mzuzu, mas cresceu em Lilongwe – capital do país – onde tocou bateria em varias bandas e com inúmeros artistas incluindo o rastafari Evison Matafale, um dos mais importantes musicos malawiano. Em 1999, Mwamwaya mudou-se para Londres e abriu uma loja de móveis usados na mesma rua onde o estúdio da dupla Radioclit estava situada. Depois de tornarem-se amigos, os três começaram a trabalhar junto no projeto The Very Best.

O Malawi é um país no interior da África Austral. Limita-se ao norte e a nordeste com a Tanzânia, ao sul, leste e sudoeste com Moçambique e ao oeste com a Zâmbia. Transformada em protetorado em 1891 pelo Império Britânico, a região que se chamava Niassalandia só viria a tornar-se independente em 6 de Julho de 1964, com o nome de República do Malawi. País em volta do terceiro maior lago africano – o lago Malawi ou Niassa –, possuí duas linguas oficiais: o inglês e o chichewa. Sempre carregou o nome do referido lago como topônimo. A maioria da sua população é cristã, consequência direta da sua colonização.

 

Ghorwane é uma banda de Moçambique formada em 1983 por Pedro Langa e batizada com o nome de um lago, do distrito de Chibuto, terra natal de Pedro Langa, na província de Gaza. Seu nome significa bons rapazes em uma lingua do Sul de Moçambique. O Ghorwane tem um estilo que combina a tradicional música de Moçambique, o afropop e o fusion. As músicas da banda são cantadas nas línguas locais, incluindo o XiChangana. A banda lançou um album em 2005 dedicado tanto a Zeca Alage e Pedro Langa, ambos assassinados em 1993 e 2001 respectivamente.

A República de Moçambique é um país localizado na costa oriental da África Austral. Faz fronteira com Africa de Sul, Zimbabue, Zambia, Malawi e Tanzania. Com presença portuguesa no norte e centro desde o século XVI, só a partir de 1895 — com a derrota do Império de Gaza, no sul — iniciou-se a gradual submissão dos povos ali existentes deixando a região sob o domínio colonial português. Este domínio perdurou até a década de 1970 e a sua independencia foi resultado de uma guerra de libertação que durou cerca de 10 anos. Com a assinatura dos Acordos de Luzaka em 7 de Setembro de 1974 foi declarada a independencia completa de Moçambique em 25 de Junho de 1975. Depios da independencia Moçambique foi ainda palco de uma guerra civil que terminou apenas em 1992. O norte do país é marcado por uma forte presença do islamismo, sendo o cristianismo mais comum no sul. Lingua oficial é a portuguesa.

3 + comentários

  • Caju 28/03/2012 - 10:49 am Responder

    Show de bola… ao lembrar da Africa somente com um continente de guerras, doenças e desgraças a galera acaba esquecendo a fantástica riqueza cultural que se encontra por ali. Parabéns ao pessoa ai do site por dar voz a esse lado fascinante da Africa.

    • Lucas Delaqua 28/03/2012 - 12:25 pm Responder

      Caju, bem que poderia rolar algumas fotos da sua expo sobre a Nigéria por aqui né?

  • […] com temas sociais,  desta vez o show foi um grito para libertação dos países Africanos Zimbábue, Namíbia e  África do Sul. O show abaixo é uma pérola de quase duas horas com verdadeiros […]

  • Deixe uma resposta