Africa Livre #03 – O Reino do Congo

1 Postado por - 04/04/2012 - Audio, obailetodo, Podcasts

AFRICA LIVRE

seu programa de música, cultura e informações sobre as Áfricas

O Reino do Congo foi um grande Estado africano localizado no centro oeste da África. Seu antigo território hoje corresponde ao noroeste de Angola (Cabinda), à República do Congo, à parte ocidental da República Democrática do Congo e à parte centro-sul do Gabão. Em sua máxima dimensão, o Reino do Congo estendia-se do oceano Atlântico a oeste, até o rio Cuango a leste; e do rio Oguwé, no actual Gabão, ao norte, até o rio Kwanza ao sul. O Reino do Congo teve seu apogeu no século XVI, período que coincidiu com o aparecimento dos portugueses nesta região. O império era governado pelo manicongo, título do imperador.

Constituído por nove províncias e três reinos (Ngoy, Kakongo e Loango), sua área de influência estendia-se aos estados limítrofes, tais como, Kassanje, Kissama, Ndongo e Matamba. Estes dois últimos estados foram, em diferentes momentos, sede do poder da Rainha Nzinga. Ela foi uma famosa lideránça política que, à sua forma, impediu que os portugueses realizassem a conquista completa da região. O começo do fim do Reino do Congo ocorreu na famosa Batalha de Mbwila. Onde forças congolesas e portuguesas, ambas reforçadas por seus numerosos aliados, confrontaram-se estrepitosamente. Nesta batalha, o regente congelês Antonio I foi mortalmente atingido, deixando vago o trono. Tal vacância do trono produziu guerras intestinas pela sucessão. Estes conflitos durariam décadas e fragmentaram irremediavelmente o poderoso Estado. A Batalha de Mbwila, que ilustra o nosso podcast de hoje, ficou magistralmente retratada nos azuleijos da Igraja de Nossa Senhora de Nazaré, em Luanda.

Já deu para perceber de onde são os artistas do programa de hoje: Oliver N’Goma, do Gabão; Les Bantous de la Capitale, da República do Congo; Werrason, da República Democratica do Congo; e Paulos Flores, de Angola. Se gostou desta iniciativa envie-nos um email com sugestões, críticas ou congratulações para africalivre@yahoo.com.br. Lembrando que estes podcasts são gravações dos programas exibidos todo sábado, às 19:00h, Radio Muda.

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Músicas do Programa:
Oliver N’Goma – Elie // Muetse
Les Bantous de la Capitale – Lisie // Machette
Werrasos – Waka-waka // Kibuisa mpimpa
Paulo Flores – Rumba nza tukiné // Maravilhoso 1972 // Sembinha
 

Oliver N’Goma nasceu em 23 de março de 1959 e faleceu em 7 junho de 2010. Foi um cantor e guitarrista gabonês que se dedicava ao Afro-zouk e ao reggae. Apelidado de “Noli,” nasceu em Mayumba no sudeste do Gabão. Ficou conhecido em 1989 por Bane, uma música popularizada pela Radio Africa N.1. O zouk é um estilo musical originado nas ilhas caribenhas de Guadalupe e Martinica e sobre o reggae acho que não seja preciso maiores informações. A palavra zouk significa “festa” ou “festival” no Criolo das Antilhas Francesas, embora originalmente tenha referido-se à mazurka, uma dança popular polonesa que foi trazida para o Caribe no século XIX. Inspirado em ritmos haitianos como o compas, tornou-se popular nos países africanos de línguas oficiais francesa e portuguesa. O zouk faz também muito sucesso na França, bem como na provincia canadense do Quebec.

A Republica Gabonesa é um Estado na África centro ocidental que faz fronteiras com a Guiné Equatorial, Camarões, República do Congo e o Golfo da Guiné, um braço do Oceano Atlântico.Tem uma população estimada em 1.500.000 de pessoas em um território de 270.000 Km2. Sua capital é Libreville. Fez parte da África Equatorial Francesa até 17 de agosto de 1960, quando tornou-se independente. É um dos mais prósperos países da sua região, em virtude da sua pequena densidade populacional e frente à grande abundância de recursos naturais em seu subsolo; obviamente explorados por investidores extrangeiros. A língua oficial é o francês.

 

Les Bantous de la Capitale é uma consagrada banda congolesa – do Congo-Brazzaville – formada em 1959. Entre seus membros fundadores estão o saxofonista, clarinetista e vocalista Jean Serge Essous; o vocalista Edouard “Edo” Ganga; os percussionistas o Célestin “Célio” Kouka e Saturnin Pandi; o baixista Daniel “De La Lune” Lubelo; o saxofonista Nino Malapet; e o guitarrista Papa Noel Nedule. É um dos mais antigos grupos de soukuos em atividade e começou suas atividades divulgando a rumba. Infelizmente sofreu uma grande perda com a morte de dois dos seus músicos mais importantes: Essous e Pandi. É uma das primeiras refencias musicais africanas de peso no cenário da música internacional.

A Republica do Congo, também conhecido como Congo-Brazaville, é um país localizado na África central. Tem fronteira com o Gabão, Camarões, República Centro Africana, Republica Democrática do Congo e com o enclave angolano de Cabinda. O Congo-Brazaville foi parte da Colônia Francesa da África Equatorial. A área norte do Rio Congo tornou-se protetorado francês em 1880 por meio do tratado entre Pierre de Brazza – um colonizador francês – e os Makoko do Bateke. O país alcançou sua independência apenas em 1960. Os Bakongos é uma das etnias mais representativa da região e formam os laços de afinidade ou rivalidade com outros grupos dos páises da região como a RD Congo, Angola e Gabão.  Lingua oficial francesa.

 

Nascido Noël Ngiama Makanda em 25 de dezembro de 1965 em uma pequena vila no norte da Republica Democrática do Congo, Werrason é o lider da banda Wenge Maison Mère (WMM). Com 8 anos, começou a cantar na Igreja Protestante de Cebezo, em Kinshasa – capital do país. Em 1981, em meio aos seus estudos em contabilidade, Werrason e seus amigos Didier Masela, Adolphe Dominguez, J.B Mpiana, Blaise Bula, entre outros, criaram uma inovadora banda musical: a “Wenge Musica 4X4 Tout Terrain Bon Chic Bon Genre”. A banda dividiu-se em 1997, por uma série de problemas internos. Masela e Dominguez seguiram Werrason e fundaram a Wenge Maison Mère, depois de percorrerem o país selecionando jovens talentos.  Em 2001 Werrasom roubaria a cena da música africana, sendo premiado o artista do ano na França e posteriormente galardoado com dois prêmio Kora – o “grammy” do continente africano – como melhor artista da África e melhor album com Kibuisa Mpimpa.

A República Democrática do Congo – também referido como RD Congo, RDC ou Congo-Kinshasa – é um extenso país da África central. Décimo primeiro país mais extenso do mundo, tem uma população de mais de 71 milhões de habitantes, tornando o RDC a décima nona nação mais populosa do mundo e a quarta mais populosa da África. O Congo-Kinshasa é ainda a maior população entre os países oficiais de lingua francesa. Faz fronteiras com a República Centro Africana, Sudão do Sul, Uganda, Ruanda, Burundi, Zambia, Angola e República do Congo. É separado da Tanzânia pelo lago Tanganica e tem uma saída de 41 km para o Atlântico. Já foi denonominado Estado Livre do Congo e Zaire, no período em que era uma propriedade do Rei Leopoldo I da Bélgica (1877-1908) e durante a ditadura de Mobutu Sese Seko (1971-1997), respectivamente. A exploração européia iniciou-se com o financiamento de Leopoldo I. Depois das denúncias do genocídio perpetrado neste período – um dos mais violentos da sua história, onde milhares de pessoas tiveram suas mãos decepadas –, passou ao controle do governo belga. Em 30 de junho de 1960, o RD Congo alcançou a independencia. Mas tal conquista foi imediatamente sabotada por interesses internacionais que leveram a recém nascida nação a um colapso político que resultou na morte de um dos políticos mais representativos de todo o continente: Patrice Lumumba. Dois grandes livros abordam a história desse gigante africano: No Coração das Treveas de Joseph Conrad e O Fantasma do Rei Leopoldo de Adam Hochschild.

 

Músico, cantor e compositor, nascido em 1972, Paulo Flores é actualmente um dos maiores expoentes da música em Angola. Começou sua carreira como cantor de Kizomba e lançou o seu primeiro álbum em 1988. As suas canções tratam de temas diversos como o governo, a vida quotidiana dos angolanos, a guerra civil e a corrupção. Paulo Flores sempre ostentou os valores da cultura musical angolana, aí incluindo as heranças patrimoniais das expressões mais populares de Angola como o semba e o kizomba. A palavra semba significa umbigada em quimbundo, uma das línguas de Angola. O gênero musical atual é resultado de um processo complexo de fusão e transposição, sobretudo da guitarra, de segmentos rítmicos diversos, baseados fundamentalmente na percussão. Já o kizomba é marcado por batidas fortes dadas por um tambor grave como o surdo, acompanhadas por uma melodia dada por um chimbal. A batida forte é muitas vezes omitida, ficando apenas a melodia dada pelo chimbal e pelos outros instrumentos da bateria.

A República de Angola é um país da costa centro ocidental de África limitado pela República Democrática do Congo, Zâmbia, Namíbia e o Oceano Atlântico. Inclui ainda o enclave de Cabinda, que faz fronteira com a República do Congo. Seu nome advem de N’gola, título dos reis do Reino do Ndongo existente na altura em que os portugueses se estabeleceram em Luanda, no século XVI. Angola foi uma colónia de Portugal, cujo início da colonização pode ser estabelecido no século XV, mas com a ressalva de que o território naqulea época era infinitamente inferior ao da Angola pós indepência. A colonização portuguesa, com fases e formas de domínio muito variadas em todo este período, durou até à independência em 1975. A sua capital e maior cidade é Luanda. Angola é o segundo maior produtor de petróleo, e grande exportador de diamantes, da África subsariana. A economia tem crescido fortemente depois do fim da guerra civil em 2002, contudo seu índice de corrupção é um dos mais altos do mundo tormando seu IDH muito baixo. As relações com o Brasil é tão longa e conturbada quanto o periodo em que foi colônia portuguesa.

4 + comentários

  • Guido Barella 04/04/2012 - 2:07 pm Responder

    Que mistura heim Marcos. PArabéns novamente !

  • Marcos Dias Coelho 05/04/2012 - 6:59 pm Responder

    Valeu Guido! O da próxima semana tentará manter qualidade… abrç

  • Glória Daniel 16/08/2013 - 9:53 am Responder

    Caríssimos, boa tarde. Agradeço o interesse demonstrado pela Identidade Histórica e Cultural de Afrika e em especial de Angola. Na verdadeo Reino do Kongo não ia só até Gabão, mas teve representações de grande dinâmica na eurásia também. Espanha e Portugal terão certamente de investigar melhor, as identidades dos Mouros escorraçados nas diversas batalhas, até por exemplo Portugal ficar com população tão reduzida, não conseguindo mesmo o candidato a Rei ser nomeado, sem que antes fosse a Africa Angola e Guiné, buscar alguns desses Mouros-Negros outrora escorraçados, isto muito antes da empresa da escravtura ou seja “descobrimentos”, até o único Mestre no trabalho do ferro, saiu de Mbanza Kongo, onde tinha saído o cristianismo usurpado por Roma! è preciso começarmos a reinscrever a História, mas, corrigindo eliminando o branqueamento feito pela europa e ocidente ao legado Africano e Angolano. Quem sabe se estdos e de Biologia Molecular forem feitas as milhares de ossadas que estão na capela dos ossos em Évora, no Poço dos negros em Lisboa, em Coimbra, e o estudo cuidado do menino do Lapelo, quem sabe se Portugal não irá saber com mtoda a certeza quem habitou neste mediterrânio antes de Roma implantar a sua Monarquia? 4 | 5 de Janeiro de 2012 _ Sociedade _
    Potencial adiado
    Menino do Lapedo:
    desinvestimento total
    Tinha apenas quatro anos e meio, ar meigo, olhos grandes e rosto redondo.
    O nome, se o tinha, ninguém o sabe mas este menino especial,
    cuja sepultura foi descoberta em 2008, no Vale do Lapedo, em Leiria,
    desencadeou uma acesa discussão científica sobre a evolução da espécie
    humana e poderia ser uma mais-valia para a região. Contudo, o desinvestimento
    no Menino do Lapedo tem sido total. Hoje, dia 5,
    celebram-se quatro anos da abertura do Centro de Interpretação do
    Lapedo, visitável apenas por marcação prévia
    Textos: Jacinto Silva Duro Fotos: Ricardo Graça
    MBanza Kongo não só deu Povos ao mundo, como também o seu nome foi usado, para legitimar o Rei de Portugal no Vaticano. Então porquê? Que tanta importância teria um Reino que bastaria enviar uma Embaixada saída de Portugal para Roma, para que o Rei Lusitano fosse aceite no Vaticano?!!…
    Tinhorão Ramos: “os negros em Portugaluma presença silenciosa”; NZeyitu Melo: “O Segredo de Deus: Jesus o Africano” BiToPo. ISBN:978-29530825-2-4.
    Saudações.

    • Marcos Dias Coelho 16/08/2013 - 10:18 am Responder

      Olá Glória, obrigado por sua contribuição. Não sou especialista em História do Kongo. Na verdade, meu doutorado é sobre história da caça no sul de Moçambique no período colonial. Contudo, sou muito interessado em música africana e história da África, por isso escolhi fazer podcasts musicais para divulgar algum conhecimento sobre o vasto continente. Espero que sua provocação intelectual desperte o desejo de algum investigador.
      Um grande abraço

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