Africa LIvre #05 – O Imperio Songhai

1 Postado por - 20/04/2012 - Audio, obailetodo, Podcasts

AFRICA LIVRE

seu programa de música, cultura e informações sobre as Áfricas

O Império Songhai foi o maior Estado da África ocidental e teve seu apogeu entre os séculos XV e XVI. O Império Songhai abrangeu uma vasta região do Sahel, onde hoje situam-se oito países, desde o Senegal à oeste até a Nigéria ao leste. Os outros países que – nos séculos XV e XVI – tinham seus territórios ocupados pelo Songhai são o Niger, Benin, Burkina Faso, Mali, Mauritânia, Guiné, e Guiné Bissau. O império recebeu o mesmo nome de seu principal grupo étnico, os songhai. No início do século XV, o Império do Mali começou a declinar. As disputas pela sucessão enfraqueceram a coroa e muitos afastaram-se. O Songhai foi um deles, fazendo de Gao uma cidade proeminente e capital do Novo Império.O primeiro imperador de Songhai foi Sonni Ali Ber (imagem que ilustra este podcast), que reinou por volta de 1464 a 1493. Como os reis de Mali, Ali era um muçulmano. No final de 1460, ele conquistou muitos dos estados vizinhos do Songhai, incluindo o que restava do Império Mali. Sonni Ali rapidamente se estabeleceu como o mais formidável estrategista, militar e conquistador do Sahel. Ele anexou a cidade de Tombuctu – centro intelectual da região – em 1468, depois que os líderes islâmicos desta solicitaram a sua ajuda para expulsar ostuaregues que haviam tomado a cidade após o declínio do Mali. Já a conquista de Jenné foi mais difícil. Ali só conquistou esta rica e bela cidade depois de um cerco persistente de sete anos, incorporando-a ao seu vasto império em 1473. O sucessor de Ali, Askia Muhammad I, ampliou e fortaleceu o império, tornando-o o maior Estado na História da Africa ocidental. A padronização de regras para as relações comerciais e uniformização do sistema de impostos foram medidas estabelecidas em seu reinado.

O declínio do imperio ocorreu por dois importantes fatores. Primeiro, uma guerra civil de sucessão enfraqueceu o Império. Segundo, a noticia desta fragmentação interna conduziu o Sultão do Marrocos a despachar uma força de invasão à região, por volta de 1590. Lembrem-se que o Marrocos, na época, havia triunfado contra os portugueses, mas esta guerra havia empobrecido o sultanato. Depois de uma marcha através do deserto do Saara, as forças do Marrocos capturaram, saquearam e destruíram as minas de sal dominadas pelo Imperio Songhai, movendo-se em seguida à capital do Imperio, Gao. Em 1591, as forças do Songhai e do Marrocos se encontraram, sendo a derrota das forças de Songhai marcada por uma debandada de gado provocada por disparos de armas de fogo. O comandante das forças marroquinas saqueou Gao, Tombuctu e Jenné, destruindo o Songhai como uma potência regional.

Para o podcast de hoje, escolhemos músicas do Benin, Mali, Burkina Faso e da Mauritânia, porque deixaremos para o próximo programa a região da Senegâmbia, constituída pela Gambia, Guiné, Guiné Bissau e Senegal. Do Benin, os “ouvintores” (ouvintes-leitores), conhecerão Angelique Kidjo; do Mali, os Tinariwen; de Burkina Faso, um importante álbum, Savannah Rhythms; e da Mauritania, Dimi Mint Abba e seu esposo, Khalifa Ould Eide. Se lhe apraz nossa iniciativa, participe e envie emails para africalivre@yahoo.com.br com sugestões, críticas e congratulações. Este é um podcats do programa transmitido todo sábado as 19:00h na Radio Muda.

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Musicas do Programa:
Angélique Kidjo – Afirika // Tumba // Refavela
Tinariwen – Imidwan win Sahara // Tenidagh hegh djeredjere // Walla illa
Savannah Rhythms – Fulani ensemble // Abdulai
Dimi Mint Abba & Khalifa Ould Eide – Mauritania my beloved country // Hassanyan song for dance // Oh Lord bring apartheid crashing

Angélique Kidjo é uma cantora, compositora e ativista beninense premiada com o Grammy e conhecida por suas diversas influências musicais. Considerada uma das melhores artistas africanas pela imprensa internacional. Inspira-se em estilos como o Afropop, Zouk caribenho, a Rumba congolesa, o Jazz, o Gospel e os estilos latinos. Em sua infância ouvia Bellow Bella, James Brown, Aretha Franklin, Jimi Hendrix, Miriam Makeba e Carlos Santana. Ela gravou varias músicas de sucesso, entre as quais “Summertime” de George Gershwin, “Voodoo Child” de Jimi Hendrix e dos Rolling Stones “Gimme Shelter”. Entre os grandes sucesso de Angelique Kidjo incluem-se canções como “Agolo”, “Nós Nós”, “Adouma”, “Wombo lombo” e “Afirika”. Kidjo é fluente em Fon, francês, iorubá e inglês, e canta nos quatro idiomas. Ela também tem sua linguagem própria, que inclui palavras que servem como títulos de músicas como “Batonga”.

A República do Benim, é um país da região ocidental da África, limitado por Burkina Faso, Níger, Nigéria, Togo e Golfo do Benim. O território onde o Benim se situa era ocupado no período pré-colonial por pequenas monarquias, das quais a mais poderosa foi o Reino do Daomé. No século XIX, a França, entra em guerra com reinos locais e em 1892, o Reino do Daomé é subjugado e transformado em protetorado francês, sob o nome de Daomé. No tratado franco-alemão de 1897 e no anglo-francês de 1898 foram fixados os limites definitivos da colónia. O país conseguiu a independência da França em 01 de agosto de 1960, com o nome de Daomé. Em 1975, três anos depois de um grupo de oficiais subalternos tomarem o poder, a nação foi rebatizada por Republica Popular do Benim. O Benim é marcado por um percentual expressivo de adeptos das religiões ancestrais africanas (48%), seguido por 38% de cristãos, entre católicos e protestantes, e 20% de muçulmanos. O francês é a língua oficial do país.

Tinariwen é uma banda de músicos tuaregues da região de deserto do Saara, no norte do Mali. A banda foi formada em 1979 nos campos de refugiados na Líbia, mas retornou ao Mali na década de 1990. O grupo começou a ganhar adeptos fora da região, em 2001, com o lançamento de As Sessões da Rádio Tisdas, e com as apresentações no “Festival au Désert”, no Mali e no festival de Roskilde, na Dinamarca. Sua popularidade cresceu internacionalmente, com o lançamento do aclamado Aman Iman, em 2007. O som do Tinariwen é essencialmente baseado na guitarra, cujo estilo é conhecido como assouf. Tal estilo de guitarra tem raízes na música da região da “grande curva” do rio Níger, entre Tombuctu e Gao. As melodias e ritmos e instrumentos tradicionais tuaregues estão presente nas composições do grupo, incluindo a flauta de pastor, um instrumento de homem; o violino de uma corda conhecido como imzad e o tambor tindé ambos tocado por mulheres. O tradicional alaúde conhecido como o teherdent, instrumento usado pelos griots das regiões de Gao e Timbuktu também está presente.

Como já fizemos referencia ao Mali no Africa Livre 01 – Estréia, falaremos sobre os dois principais centros urbanos da cultura griot: Gao e Tombuctu. A primeira, como já vimos, foi a sede política do Imperio Songhai. A segunda, um centro onde o conhecimento borbulhou durante muitos séculos. Gao era um importante entreposto para caravanas, e tornou-se um dos mais importantes centros do comércio transaariano. A cidade possui monumentos, como a Tumba de Askia, que foram considerado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Tombuctu foi fundada por volta do ano 1100. No século XIV, passou a fazer parte do Império do Mali, mas atingiu o seu apogeu sob o domínio do Império Songhay, tornando-se um paraíso para os estudiosos e capital espiritual da dinastia Askia entre 1493 e 1591. A cidade foi habitada por muçulmanos, cristãos e judeus durante centenas de anos, sempre considerada um centro de tolerância religiosa e racial. A Universidade de Tombuctu é composta por três grandes construções que serviam como centros de estudos: entre elas está a Mesquita de Djingareiber construída em barro em 1327.

Savannah Rhythms é um álbum que foi originalmente lançado em 1981 e relançando pela Nonesuch em 2002. Trabalho lindíssimo, Savannah Rhythms reúne uma amostragem variada de música de Burkina Faso. O balafon, um instrumento de percussão precursor da marimba e, possivelmente, do piano, é um dos mais utilizados pelos grupos musicais da região. Nesta seleção há a execução de flauta, tambor e do clarinete cabaça. Todos estes instrumentos são acústicos, mas trazem uma melodia ao mesmo tempo fascinante e ricamente bela. Um disco maravilhoso, altamente recomendado. Infelizmente não encontramos um artista burquinabê, nacional ou internacionalmente, conhecido. Mas como temos compromisso de apresentar todos os países através de sua música, optamos por apresentar este trabalho.

Burkina Faso, conhecido no período colonial como Alto Volta, é um país africano que tem fronteiras com o Mali, o Níger, o Benin, o Togo, o Gana e a Costa do Marfim. Sua capital é a cidade de Uagadugu. Em 1896, o reino Mossi de Uagadugu tornou-se protectorado francês depois de ser derrotado por estas forças militares. Em 1898, a maior parte da região que corresponde hoje ao Burkina Faso já havia sido conquistada. Em 1904, estes territórios foram integrados à África Ocidental Francesa. Os mossi são o principal grupo etno-linguístico e gozam de privilégios políticos. A antiga cidade de Uagadugu é a capital e a cidade mais populosa. A língua oficial do país é o francês.

Dimi Mint Abba nasceu em 25 dezembro de 1958 e faleceu em 04 de junho de 2011. Foi a música mais famosa da Mauritânia. Ela nasceu em uma família especializada na tradição griot (artista portadores de uma cultura ancestral do Sahel). Os pais de Dimi eram ambos músicos – seu pai foi convidado a compor o hino nacional da Mauritânia. Ela começou a tocar e cantar muito cedo. Sua carreira profissional começou em 1976, quando cantava em uma rádio mauritânia. No ano seguinte, participou do Concurso “Kulthum Umm” em Tunis tendo sido sua canção “Sawt Elfan” (“Plume da arte”) a vencedora. Ficou conhecida internacionalmente através da gravadora do Circuito Mundial, com o álbum Moorish Music from Mauritania. Neste álbum, ela estave acompanhada do marido Khalifa Ould Eide e suas duas filhas. Ela morreu em junho de 2011, em Casablanca, Marrocos, depois de sofrer um acidente no palco em Aioun dez dias antes, quando estava fazendo um show.

A Mauritânia é um país na região do Magrebe na África Ocidental. Está limitado pelo Oceano Atlântico, Saara Ocidental, Argélia, Mali e Senegal. Seu nome foi inspirado no antigo reino berbere da Mauritânia, que mais tarde se tornou uma província do Império Romano. O território da atual Mauritânia foi sendo gradativamente anexado pelo França Imperial a partir do fim do século XIX. O domínio francês se estendeu sobre os emirados mauritanos, mas o emirado de Adrar no norte resistiu mais, auxiliado pela rebelião anticolonial (ou jihad) do xeque Maa al-Aynayn; que só foi derrotado militarmente em 1912. Em 1920, a Mauritânia tornou-se parte da África Ocidental Francesa. Em 1960 o país ganhou a independência, criando sua capital – a cidade de Nouakchott – na uma pequena vila colonial de Ksar.

6 + comentários

  • Guido Barella 20/04/2012 - 2:35 pm Responder

    Que voz da Angélique ……

  • Cajueiro 23/04/2012 - 1:41 pm Responder

    Como sempre.. soh musicao nesses podcastas da mae africa

  • Marcos Dias Coelho 23/04/2012 - 2:19 pm Responder

    Valeu pessoas!!! q bom q gostaram. Como vão as estatísticas Lucas? rsrsrs

  • luiz henrique 22/03/2013 - 9:19 pm Responder

    Parabéns pelo site, pelas informações e pelo repertório musical! Vida longo a vocês todos! Axé!

  • Gabriella 07/11/2013 - 12:48 pm Responder

    Alguém sabe algum objeto de arte típido de Songai ? Obrigado *-*

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