Africa Livre #09 – O Rio Nilo

2 Postado por - 28/11/2012 - Audio, obailetodo, Podcasts

ÁFRICA LIVRE
seu programa de música, cultura e informações sobre as Áfricas

O Nilo é o maior rio do mundo em extensão. Situado no nordeste do continente africano, nasce a sul da linha do Equador e desagua no Mar Mediterrâneo. A sua bacia hidrográfica ocupa uma área de 3 349 000 km² abrangendo o Uganda, Tanzânia, Ruanda, Quénia, República Democrática do Congo, Burundi, Sudão, Sudão do Sul, Etiópia e Egito. A partir da sua fonte mais remota, situada no “Nyungwe National Park” em Ruanda, o Nilo apresenta um comprimento de 7 088 km. É formado pela confluência de três outros rios, o Nilo Branco, o Nilo Azul e o rio Atbara. O Nilo Azul nasce no Lago Tana na Etiópia, confluindo com o Nilo Branco em Cartum, capital do Sudão. Embora hoje afirme-se que a nascente do grande rio esteja localizada em Ruanda, tradicionalmente, o Nilo propriamente dito começa em Jinja (Uganda), na borda norte do Lago Vitória, correndo para norte, passando pelo Lago Kioga e pelo Lago Alberto. O ramo entre estes dois rios é conhecido como o Nilo Vitória. A partir do Lago Alberto e até Númula, no Sudão, o Nilo recebe a designação de “Nilo Alberto”. Em Númula e até se encontrar com o rio Sobat (um pouco acima de Malakal) o Nilo é conhecido como o Bahr al-Jabal, ou Rio Montanhoso. Torna-se então mais sinuoso, recebendo junto ao Lago No, o rio Al-Ghazal (Gazela) como afluente. Porém, antes disso, o Nilo mergulha em um pântano, o Sudd. Entre Malakal e Cartum, o Nilo é conhecido como o Nilo Branco. A 322 quilómetros a norte de Cartum, o Nilo recebe o seu último grande afluente, o rio Atbara, oriundo igualmente do planalto abissínio. O rio avança então pelos penhascos da região da Núbia até chegar a Assuã no Egipto. A partir de Assuã, onde o Nilo foi represado, o vale se alarga até atingir o Delta, desaguando no Mar Mediterrâneo. O Delta do Nilo é uma região plana com uma forma triangular, apresentando 160 km de comprimento e 250 km de largura. No Delta, o Nilo bifurca-se em dois canais que levam as suas águas para o Mediterrâneo: a oeste, o canal de Roseta, e, a leste, o de Damieta.

Segundo a mitologia egípcia, o Nilo formou-se em decorrencia das lagrímas derramadas por Isis. Esta deusa egípcia chorava a morte de Osiris, seu marido, morto por Seth rival de Osiris. Suas cheias traziam grande quantidade de sedimentos, fertilizando vastos territórios às suas margens. Também às suas margens floresceram algumas sociedades. Entre elas, uma das mais importantes civilizações humanas, o Antigo Egito. As pirâmides são a prova irrefutável do seu esplendor. Entre estes fabolosos monumentos, a pirâmide de Quéops é considerada uma das sete maravilhas do mundo. Para termos uma idéia da capacidade de inundação deste caudaloso rio, era possivel ver as pirâmides de Gizé de uma região alagada pelo Nilo. Com a construção da represa de Assuã – uma das mais fabulosas construções contemporâneas – tal possibilidade foi por água abaixo, ou melhor, evaporou-se. Prova do que estou relatando é a foto de uma das últimas cheias do Nilo, feita em 1937. Não é por acaso que esta foto ilustra o nosso podcast.

Como o Nilo atravessa quatro países, navegaremos em sentido contrário ao fluxo do grande rio, começando por sua foz no Egito, de onde ouviremos Mohamed Mounir; passando pelo Sudão escutaremos Mohammed Wardi; do recem indepedente Sudão do Sul chega-nos o Rap de Emannuel Jal e; ao chegar a Uganda, apreciaremos Bernard Kabanda. Curtam esta viagem musical.

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Musicas do Programa
Mohamed Mounir – Edie ia figuiobí // Sayyad // Walli
Mohammed Wardi – Hararnt al hub w’al raida // Ya baladi ya Haboub
Emannuel Jal – Asabi // Gamearina // Gua
Bernard Kabanda – Abakazi bi kibuga // Katuzinywe // Olugendo lw’e bulaya

Mohamed Mounir nasceu em 10 de outubro de 1954 e é um dos mais conhecidos cantor e ator egípcio. Com sucesso tanto no Egito como em todo o Oriente Médio, tem uma carreira musical que abrange mais de três décadas. Ele incorpora vários gêneros em sua música, incluindo música árabe clássica, música núbia, blues, jazz e reggae. Após a sua graduação, ele foi chamado para o serviço militar em 1974, durante o qual continuou sua carreira musical profissional através da realização de vários concertos. Participou do seu primeiro concerto em 1975. O público havia criticado Mounir por sua opção em se apresentar em traje casual em um momento em que a formalidade do vestir era a órdem. Mesmo assim, ele continuou sua tendência de lançar álbuns infundidos com informações sobre os problemas sociais do seu país. Em 2005 ocorreu o lançamento de seu Albun “Embareh Kan Omry Eshren” (Ontem eu tinha vinte anos), já o álbum “El Ta’m Beyout” (Gosto de Casas) foi lançado em 2008. Este último foi notado por sua criatividade, mas, inicialmente, não teve desempenho tão bom quanto o esperado em termos de vendas. Em 2012, Mounir lançou seu mais recente álbum “Ya Ahl El Arab nós Tarab”. Ao todo, Mounir gravou 23 álbuns.

A República Árabe do Egito é um país do norte da África, cujo terrítório inclui também a península do Sinai, na Ásia, o que o torna um estado transcontinental. Com uma área de cerca de 1 001 450 km², o Egito limita a oeste com a Líbia, a sul com o Sudão e a leste com a Faixa de Gaza e Israel. O litoral norte é banhado pelo mar Mediterrâneo e o litoral oriental pelo mar Vermelho. A península do Sinai é banhada pelos golfos de Suez e de Acaba. A sua capital é a cidade do Cairo. Cerca de 3 150 a.C., o rei Menés (ou Narmer) fundou um reino unificado e estabeleceu a primeira de uma sequência de dinastias que governaria o Egito pelos três milênios seguintes. Posteriormente, os egípcios passaram a referir-se a seu país unificado com o termo tawy, “duas terras” e, em seguida, kemet (kīmi, em copta), “terra negra”. A cultura egípcia floresceu durante este longo período e manteve traços distintos na religião, arte, língua e costumes. O Egito foi passarela de várias influências mediterrâneas. Foi ptolomaico, romano, árabe e otomano. Teve uma das bibliotecas mais diversa e importante do mundo mediterrâneo, destruída no período cristão. No século XIX, a abertura do canal de Suez pelo Quediva Ismail, em 1869, tornou o Egito um centro mundial de transporte e comércio, mas fez com que o país contraísse uma pesada dívida junto às potências europeias. Como resultado, o Reino Unido tomou o controlo do governo egípcio em 1882 para proteger os seus interesses financeiros, em especial os relativos ao canal. Entre 1882 e 1906, surgiu um movimento nacionalista que propunha a independência. O Incidente de Dinshaway (em que soldados britânicos abriram fogo contra um grupo de egípcios) levou a oposição egípcia a adoptar uma posição mais forte contra a ocupação do país pelo Reino Unido. Fundaram-se os primeiros partidos políticos locais. Após a Primeira Guerra Mundial, Saad Zaghlul e o Partido Wafd chefiaram o movimento nacionalista egípcio, ganhando a maioria da assembleia legislativa local. Quando os britânicos exilaram Zaghlul e seus correligionários para Malta em 8 de Março de 1919, o país levantou-se na primeira revolta de sua história moderna. As constantes rebeliões por todo o país levaram o Reino Unido a proclamar, unilateralmente, a independência do Egito, em 22 de Fevereiro de 1922.

Mohammed Osman Hassan Salih Wardi nasceu em 19 de julho de 1932 e faleceu 18 de Fevereiro 2012. Foi um cantor e compositor sudanes. Filho de em uma pequena aldeia no norte do Sudão. Sua mãe morreu quando ele era um bebê. Seu pai, Osman Hassan Wardi, morreu quando ele tinha nove anos de idade. Teve uma formação diversificada e culturalmente rica através da qual desenvolveu um interesse pela poesia, literatura, música e canto. Em 1953, Wardi foi para Cartum pela primeira vez para participar de uma convenção como um representante de ensino para a sua área, pois também era professor. Despois disto, mudou-se para Cartum e começou sua carreira como artista musical. Teve uma parceria com o famoso poeta, Ismail Hassan, que resultou em mais de 23 músicas. Wardi costumava usar uma variedade de instrumentos, incluindo o tambor núbio, além de cantar em línguas árabe e núbias. Era descrito “o cantor top da África” pelos fãs, principalmente na região do Chifre da África. Suas canções abordam temas como romance, paixão, folclore núbio e revolução, património e patriotismo. Foi algumas vezes preso por causa de algumas canções políticas. Após a introdução da Sharia em 1989, ele deixou o Sudão para um exílio voluntário, no Cairo. Só retornando para Cartum em 2003.

A República do Sudão é um país africano, limitado pelo Egito, Mar Vermelho, Eritreia, Etiópia, Sudão do Sul, República Centro-Africana, Chade e Líbia. A capital é Cartum. Conhecido na antiguidade como Núbia, o Sudão foi incorporado ao mundo árabe na expansão islâmica do século VII. O sul escapou ao controle muçulmano e sofreu incursões de caçadores de escravos. Entre 1820 e 1822, foi conquistado e unificado pelo Egito, entrando posteriormente na esfera de influência do Reino Unido. Em 1881 eclodiu uma revolta nacionalista chefiada por Muhammad Ahmed bin’ Abd Allah, líder religioso conhecido como Mahdi, que expulsou os ingleses em 1885. Contudo, Mahdi morreu logo depois, permitindo que os britânicos retomassem o Sudão em 1898. No ano seguinte, o território foi submetido ao domínio egípcio-britânico. Obteve autonomia limitada em 1953 e independência total em 1956. O país tem como lingua oficial o inglês e o árabe. A religião predominante é o islamismo.

Nascido na aldeia de Tonj no Sul do Sudão, Emannuel Jal era uma criança quando a Segunda Guerra Civil Sudanesa estourou. Seu pai juntou-se ao Exercito de Libertação do Povo do Sudão (SPLA – sigla em inglês) quando ele tinha cerca de sete anos, sua mãe foi morta por soldados leais ao governo. Desde então, decidiu juntar-se aos milhares de crianças que viajam para a Etiópia, onde pretendiam se educar. Estas crianças, Jal incluído, foram recrutados pelo SPLA e levados para campos de treinamento militar onde eram treinadas para lutar . Jal passou vários anos lutando na Etiópia, até que a guerra estourou dentro e fora, e muitas crianças-soldados foram obrigadas a voltar para o Sudão. Quando a luta se tornou insuportável Jal e algumas outras crianças decidiram fugir. Na cidade de Waat, Jal conheceu Emma McCune. Emmanuel tinha apenas 11 anos na época e Emma pediu para que ele deixasse o exército. Ela o adotou e o levou para o Quênia. Emmanuel freqüentou a escola em Nairobi. Depois da morte de Emma McCune, Jal passou por dificuldades até que começou a cantar para aliviar a dor do que ele tinha experimentado. Ele também se tornou muito ativo na comunidade, arrecadando dinheiro para crianças de rua e refugiados. Jal se tornou cada vez mais envolvido na música e formou vários grupos. Seu primeiro som, “All we need is Jesus”, foi um sucesso no Quênia e recebeu prêmios no Reino Unido. Foi quando passou a produzir seu primeiro álbum, Gua, uma mistura de rap em Árabe, Inglês, Swahili, Dinka e Nuer. Suas letras ilustram os desejos do povo sudanês em retornar à pátria em esperança pela paz. O Hip-hop de Jal não teve influência estadunidense, sendo muito marcado por tendências africanas. A faixa-título, também chamada de “Gua”, foi o hit número um no Quênia. Seu sucesso o levou a fazer gravações para ajudar crianças em zonas de conflito.

A República do Sudão do Sul é um país encravado no nordeste da África. Tem esse nome devido à localização geográfica, ao sul do Sudão. Além da divisa com o Sudão ao norte, o Sudão do Sul faz fronteira com a Etiópia, o Quênia, Uganda, República Democrática do Congo e República Centro-Africana. O que é hoje o Sudão do Sul era parte do Sudão Anglo-Egípcio que tornou-se parte da República do Sudão, quando ocorreu a independência deste em 1956. Após a Primeira Guerra Civil Sudanesa, o sul do Sudão tornou-se uma região autônoma em 1972. Esta autonomia durou até 1983. A Segunda Guerra Civil Sudanesa desenvolvida anos depois, resultou novamente na autonomia da região, através do Tratado de Naivasha, assinado em 9 de janeiro de 2005 no Quênia, com o Exército Popular de Libertação do Sudão (SPLA/M). Em 9 de julho de 2011, o Sudão do Sul tornou-se um estado independente, ou seja é a mais jóvem Nação africana. Em 14 de julho de 2011, o Sudão do Sul tornou-se um Estado membro das Nações Unidas (ONU). O país entrou para a União Africana em 28 de julho de 2011. O Sudão do Sul, também chamado de Novo Sudão, possui quase todos os seus órgãos administrativos em Juba, a capital, que é também a maior cidade, considerando a população estimada. A lingua oficial é o inglês, embora existam outra líguas francas.

Bernard Kabanda Sslongo (1959-4 Setembro de 1999) foi um violonista de Uganda. Ficou famoso depois de se apresentar no circuito de música WOMAD nos EUA e no Reino Unido, em 1999, antes de morrer de AIDS menos de dois meses depois desta sua apresentação, com apenas 40 anos. Antes de morrer, ele gravou um álbum no Womad, chamado Olugendo. Sua descoberta se deu nas ruas de Kampala, capital de Uganda, onde tocava uma guitarra que havia feito com restos de sucata. Ele vivia contente em tocar sozinho, ou com simples instrumentos de lata, com os quais tocava em bares em Kampala. Em sua turnê Womad, ele foi acompanhado por Samuel Bakkabulindi Sslongo, que tocava chocalhos improvisados feitos com latas e tambores feitos com varas.

A República de Uganda, é um país da África Oriental. Uganda é limitada pelo Quênia, Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Ruanda e Tanzânia. A parte sul do país inclui uma parte substancial do Lago Victoria, também partilhado pelo Quénia e Tanzânia. Uganda tem o seu nome do reino de Buganda, que abrangeu uma grande parte do sul do país, incluindo a capital Kampala. O povo de Uganda eram caçadores-coletores até 1.700 a 2.300 anos atrás, quando as populações de língua bantu migraram para o sul do país. A área foi governada pelos britânicos inicialmente no final de 1800. Uganda ganhou a independência da Grã-Bretanha em 9 de outubro de 1962. Embora possuindo inumeras línguas locais, apenas dois idomas são oficiais o inglês e o suaíli. 84% da população é cristã, enquanto 12% é mulçumana.

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