Chick Corea – Return to Forever

1 Postado por - 03/04/2012 - obailetodo, Textos

Orgia instrumental! Não há outra forma de descrever esses monstros no palco. Escrevo aqui um pouco sobre o projeto “Return To Forever”.

Liderado e fundado por um dos maiores monstros do Jazz Fusion, Chick Corea, o projeto passou por várias formações no inicio da década de 1970, inclusive trazendo o baterista e percursionista brasileiro Airto Moreira (parceiro de gravações de ninguém menos que Hermeto Pascoal e Miles Davis) em sua formação inicial. Aliás, essa é uma das característica de Chick, sempre buscando parcerias inusitadas em todos os cantos do mundo. Além dele, gigantes da música como Joe Farrell e Flora Purim também deixaram suas contribuições no grupo, ainda no começo de 1972.

Mas trago aqui o Projeto “Return to Forever”, em dois momentos. O primeiro em 1974, gravado no estúdio da German TV sem platéia alguma, experiência como a que vimos aqui em  Pink Floyd em “Live at Pompeii”, e o segundo, trinta e  quatro anos depois no Montreux Jazz Festival, realizado em 2008. Em ambos momentos, temos Chick Corea  liderando o grupo majestosamente. Ora com teclados sintetizados ora batendo com baquetas dentro de seu piano, puxando as cordas para obter timbres alucinantes ou simplesmente apertando as teclas! Sonoridades dignas de um gênio da música.

Na bateria temos ninguém menos que Lenny White, um dos melhores que já vi em minha vida. Com uma competência sem precedentes, Lenny tem uma capacidade rítmica única. Na maioria das vezes, nós, meros mortais, não conseguimos sequer entender  a lógica que pulsa de sua bateria. Entre solos e levadas cabulosas, Lenny é um show a parte. Não é atoa que ele acompanha Chick Corea até hoje em seus shows.

Para fechar a “cozinha” destes dois períodos, temos Stanley Clarke. Sim, ele mesmo. Para quem não conhece, Stanley é um dos maiores contrabaixistas que esse mundo já viu. Em trechos de ambos os shows, vemos Stanley literalmente martelando o baixo elétrico de 4 cordas. Mas é quando o contrabaixo de “Pau” entra em cena, que vemos do que sua técnica é capaz. E é muito capaz. Separei abaixo a música ” Romantic Warrior”, em que ele executa um solo. Infelizmente o final do solo foi cortado, mas isso é só um detalhe.

Só esse trio já daria um espetáculo fantástico, mas temos mais duas feras que dividiram o palco com eles tocando guitarra e violão. O Primeiro, lá na década de 1970,  era um fã assíduo de Chick, Bill Connors. Excelente musicista e extremamente experimentalista, Bill quase não acreditou quando teve a chance de subir ao palco ao lado desse trio. Com essa formação “Return to Forever” encantou e confundiu o publico que “observava” os espetáculos. Mas poucos anos depois, Bill deixa a banda. E agora? Quem poderá substitui-lo  com a excelência e competência necessária? Earl Klugh, ótimo guitarrista, parceiro de músicos com George Benson e outras feras, adentrou ao grupo. Mas a parceria não durou muito, e logo ele deixou o projeto.

Eis que surge em cena Al Di Meola! De cara ele assume as guitarras e um espaço único no palco. E com essa formação, os projetos experimentais nunca mais foram os mesmos. É incrível como os músicos executam as composições em conjunto. A harmonia e a sintonia são nítidas. Quando você pensa que eles estão se matando para executar uma parte da música, eles simplesmente começam a trocar olhares entre si e sorriem como se nada tivesse acontecendo. Al Di Meola é dono de uma palhetada muito afiada e rápida. Pura técnica aliada a um ótimo feeling, fazem dele um dos melhores do gênero. Com essa formação, o projeto ainda faz sucesso e arranca aplausos por onde passa.  Mais de 30 anos depois, a música deles continua a mesma, mas já os cabelos, nem tanto…

Esse ano Chick Corea fará um apresentação no Brasil, no BMW Jazz Festival. E nós estaremos presentes.

Cliquem abaixo e conheçam um pouco sobre o trabalho em questão.

Ainda em 1974 “Return To Forever” com Bill Connors na guitarra.

https://www.youtube.com/watch?v=gdsK9YIf3U4″

Já em 2008, no Montreux Jazz Festival – Al Di Meola nas Guitarras

After The Cosmic Rain – 1974 – Com Bill Connors

Romantic Warrior – Bass Solo -2008 no Montreux Jazz Festival

 

Abaixo algumas imagens:

2 + comentários

  • Guido Barella 03/04/2012 - 4:51 pm Responder

    Indico também, para quem gosta do gênero, conhecer um pouco mais a fundo o trabalho de Chick Corea !

  • […] passada escrevi aqui sobre Chick Corea, e no segundo momento narrado no texto sobre “Retur to Rorever” o guitarrista da banda […]

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