Espreita no Deserto #12 – Videosongs

1 Postado por - 23/08/2013 - Audio, Música, obailetodo, Video

[Kalimba Recording, de Antoine Camelin. Compartilhado sob a licença Creative Commons]

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Videosongs é um conceito criado por pelo músico Jack Conte, e é uma espécie de WYSIWYG dos movimentos musicais: A ideia é criar músicas, na maior das vezes tocada inteiramente por uma ou duas pessoas (mas algumas vezes incluindo toda uma banda ou ao menos convidados especiais), onde o vídeo da música adere a duas regras:

1. O que você vê é o que você ouve (nenhum lip-syncing para instrumentos ou vozes)

2. Se você ouve, em algum momento você vê (nenhum som escondido)

Essas regras somadas ao fato de que a maioria dos videosongers são multi-instrumentalistas, acaba por gerar clipes com um visual comum a todos, mas bem característico: o som, que foi gravado em múltiplos canais e takes, é mostrado no vídeo em caixas e divisões de tela para acomodar todos os instrumentos sendo tocados em um dado momento.

 

Os videosongers são em geral pessoas do movimento Faça-Você-Mesmo, e isso significa que em geral eles tem muita personalidade, já que controlam todos os aspectos da música: da composição, reprodução, mixagem e vídeo. O resultado é um som muito autêntico, muito apaixonado (mesmo nos covers de música).

Esse som eu gosto muito. E aí a seleção de alguns dos meus preferidos músicos.

 

5. yOya – Gary Jules’s Mad World / Radiohead’s High and Dry

Eu sou um grande fã de mashups, e a ideia de fazer mashups tocados pelos próprios artista, e ainda mais no formato videosong, é bastante original, dando um passo além do cover onde tantos se destacam.

 

4. Giulio Carmassi – One Man Big Band

Boa parte do som dos videosongers pode ser classificado como uma espécie de pop alternativo (embora esses dois rótulos pareçam ser mutuamente exclusivos): são baladas suaves, músicas dançantes, eletrônicos interessantes, que poderiam muito bem receber a alcunha de música pop. O interessante de Giulio Carmassi é que ele é um multi-instrumentalista que usa o formato videosong para tocar jazz e música erudita. E ele o faz com muita competência.

 

3. Jack Conte – The Time Has Come

Creditado como o criador do conceito, eu sempre gostei de como ele é eclético nos gêneros musicais que ele toca, e como dá para ver uma clara evolução dele como músico e artista. Sua tenacidade em criar seu nicho na internet e ganhar a vida com seus sonhos também é admirável, e toda entrevista ou vídeo em que você o vê falando é difícil não acreditar que ele não seria uma pessoa ótima para se tomar uma cerveja e conversar sobre a vida. Hoje em dia seus clipes não necessariamente seguem o formato videosong, com ele fazendo experiências com robôs, roteiros e stop motion, entre outras coisas, mas a música continua incrível.

 

2. KNOWER (formely Louis Cole and Genevieve Artadi) – Gotta Be Another Way

Esse duo tem um som interessante que pega emprestado elementos emprestados do eletrônico (inclusive do dubstep), da música nova era, do pop e do funk, para criar um estilo único. Algumas músicas chegam mesmo a exigir uma segunda ou terceira audição para serem digeridas. Eles também são alguns dos mais interessantes visualmente, com poucas divisões de tela, efeitos de luz, bordas, desenhos sobre o vídeo e uso artístico de câmeras de baixa qualidade.

 

1. Alaa Wardi – Ma3gool

Honestamente, Alaa Wardi para mim é uma música celestial: além dele tocar suas músicas inteiramente com sons de boca e de corpo, sem nenhum outro instrumento, o uso de harmonias é excepcional. Não posso dizer muito sobre suas letras, já que não falo árabe, mas suas descrições e clipes dão a entender que são músicas de amor, apreciação pela vida e paz. Um som especial para relaxar.

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