Funk – do Gentil ao Esculacho

0 Postado por - 18/01/2012 - Artigos, obailetodo, Textos

Através dos bailes funk, popularizou-se o funk carioca. Derivado do Miami Bass, que  é um tipo de Hip Hop com raízes no electro-funk, o funk carioca consagrou-se primeiramente entre as massas, sendo ouvido principalmente nas favelas do Rio de Janeiro.

A partir dos anos 1970, quando eram realizados bailes de black, soul, shaft ou funk, nos Estados Unidos, os Djs vinham buscando inovar com novos ritmos para a música negra. Registros do funk eletrônico podem ser encontrados no som do Kraftwerk, que já estavam consagrados desde o final dos anos 70, mas não era assim, considerado muito dançante. A revolução veio junto com o lançamento do Afrika Bambaataa, Planet Rock (The Album), em 1986, pela gravadora Tommy Boy Records.

Afrika Bambaataa definitivamente mudou as nossas mentes e com eles pudemos ouvir efeitos dessa nova mistura de batidas. As pessoas foram a loucura ao ouvirem os primeiros beats em “Planet Rock” e já saiam gritando. Depois disso, vieram um monte de registros semelhantes, como o “Looking For The Perfect Beat” também do Afrika Bambaataa.

Antes, eram conhecidas somente batidas eletrônica como:

Midnight Starr:

Lakeside:

Ronie Raptivity gee:

Afrika Bambaataa:

Looking for the perfect beat:

G.L.O.B.E. & Pow Wow:

https://www.youtube.com/watch?v=5zYILlq4U_E

Bobby Jimmy And The Critters – Big Butt:

https://www.youtube.com/watch?v=kouVPsazPO0

Os ritmos do funk, a princípio, foram em sua maioria, loops de bateria eletrônica do Miami Bass ou registros de freestyle. A batida mais comum de tambor era um laço de DJ Baterry Brain “808 volts”. Agora, os ritmos do Funk carioca usam o tamborzão, além dos drum loops, o que caracteriza bem o lado brasileiro, particularmente o atabaque, em arranjos que estão perto dos usados no Maculelê capoeira. As primeiras  gravações do funk carioca eram versões. Começou a tocar nas rádios uma regravação de uma canção de Raul Seixas: o “Rock das Aranhas”, em ritmo funk, que virou hit e se juntou a outras músicas feitas com muito bom humor e gravações de cantores de “latin freestyle” como Stevie B, Corello DJ, entre outros MC’s.

“Rock das aranhas” Funk:

Stevie B:

A nacionalização do funk veio com o aumento de raps/melôs em português e já no início dos anos 90 começa a ganhar identidade própria. Em seu início, as letras do funk costumavam abordar temas variando entre a pobreza, a dignidade humana, o orgulho racial, a violência cotidiana, injustiças sociais e claro o sexo. Analistas sociais acreditam que o funk é muito mais do que um simples ritmo musical, é sim, uma expressão genuína das graves diferenças entre as classes sociais e o racismo. Uma maneira que a comunidade achou para expor, seus problemas e suas rotinas, alertando para o descaso como são tratados.

Mas os bailes começaram a ser vistos com certo preconceito e tornou-se alvo de ataques, por ser popularizado entre as camadas mais carentes da sociedade. Vários desses bailes eram chamados de corredor, onde as galeras de diversas comunidades se enfrentavam em lados, A e B, o que repercutiu negativamente para imagem desse movimento. Vários bailes eram proibidos e buscaram, a partir desse momento, “conscientizar” as massas, com letras que pediam a paz nos bailes.

Lado a lado b:

https://www.youtube.com/watch?v=YGJuujPB_24

https://www.youtube.com/watch?v=GA2HMxPIBgA

https://www.youtube.com/watch?v=8D_IZKbO2Cw

https://www.youtube.com/watch?v=7cx5DgioihE

https://www.youtube.com/watch?v=VXFStPyFlFQ

Foi quando surgiu o Funk melody, com letras mais melódicas e temas românticos, alcançando o sucesso nacional.  A partir de 1995, o som já podia ser ouvido em algumas rádios AM. O programa Furacão 2000 na CNT fazia um grande sucesso, trazendo os destaques do funk, deixando de ser exibido somente no Rio. Nessa fase, artistas como Claudinho e Buchecha ajudaram muito a popularizar o Funk.

Furacão 2000 relíquia – MC Bob Run:

Furacão 2000 relíquia – MC’s Cidinho e Doca:

Furacão 2000 relíquia – MC’s Junior e Leonardo:

Furacão 2000 relíquia – MC’s Sinistro e Mião:

Claudinho & Buchecha – Rap do Salgueiro:

Alguns bordões e gritos de guerras dos bailes, acabavam se tornando hits como foi o caso de “uh Tererê” (um falso cognato do rap “whoop! Ther it is” do grupo Tag Team) e “Ah, eu tô maluco”. Em 1997, Mestre Jorjão da Bateria da viradouro introduziu a “paradinha funk” no desfile de Carnaval.

Paralelo a esse sucesso, outra corrente do funk se fortalecia e ganhava espaço nas comunidades, era o “Proibidão”. Em geral cultuava temas relacionados ao tráfico, exaltando grupos criminosos e provocando os rivais. Isso se manteve até o final da década de 90, quando as músicas ganharam em sua maioria uma conotação erótica. Essa temática caracterizada por músicas com letras sensuais e muitas vezes vulgares, ganhou força e teve seu principal momento ao longo dos anos 2000.

Proibidão:

Até o ano 2000, Funk Carioca foi apenas um fenômeno regional. Em seguida, os meios de comunicação europeus começaram a relatar a sua combinação peculiar de música, questões sociais, com um forte apelo sexual. Em 2001, pela primeira vez, faixas Baile funk apareceram em um selo não-brasileiro. O álbum foi chamado Favela Chic pela BMG e continha três batidas de funk carioca old-school, incluindo a canção popozuda Rock n’Roll por De Falla.

A história não para por ai, de lá pra cá muitos artistas e produtores consagrados cairam nas graças do funk carioca. De Caetano Veloso à Diplo, passando por Tom Zé, hoje a importância do funk carioca como fenômeno cultural nacional é indiscutível.

Na sequencia top 10 de funk carioca.

1)Rap do silva Bob Rum

2) MC’s Cidinho e Doca cantando Eu só quero é ser feliz:

3) De Falla – Popozuda Rock ‘n Roll:

4)Cidinho E Doca – Rap Das Armas:

5) Adultério – Mr Catra

6) Os Caçadores – Dona Gigi

7)Menor do Chapa – Humildade e Disciplina

8) Marcelo, Caralho, Enfia o Pastelão No Cu!

9) Chatuba de mesquita – bonde do sexo anal
https://www.youtube.com/watch?v=DIyNURYWL9E
10) Mc Serginho – Eguinha Pocoto

1 comentário

  • Lucas Delaqua 18/01/2012 - 10:45 am Responder

    Falar o que para o primeiro colunista que não assina o nome e usa uma foto do Flávio de Carvalho? Bem-vindo e boa estréia, bombando no morro!

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