Raimundos uma história (in)tensa

1 Postado por - 27/01/2012 - Artigos, obailetodo, Textos

Banda formada no final dos anos 80 em Brasília (Distrito Federal), os Raimundos (nome derivado da banda Ramones), levou multidões a cantar sucessos como, Eu Quero Ver O Oco, Esporrei Na Manivela, I Saw You Saying, Nega jurêma, e foi a banda de Rock que mais vendeu discos no Brasil nos anos 90. Com um som que mistura o ritmos como, o Forró nordestino, com o Rock Hardcore e letras com um teor de humor, com referências ao sexo explícito e de duplo sentido, alcançaram a fórmula do sucesso, conquistando uma ampla base de fãs e uma grande exposição na mídia.

“Minha família é da Paraíba, e eu me lembro que desde os dez anos, eu sempre ia naqueles churrascos com os meus pais. Tocava forró o tempo inteiro, e eu achava aquilo um saco. Só gostava das canções do Zenilton, por causa das letras sacanas, achava aquilo muito fera”,

-Rodolfo em entrevista a revista  Bizz.

O Grupo foi primeiramente formado com Digão na bateria e Rodolfo na guitarra, quando os dois eram vizinhos em Brasília. Contudo, ainda faltava um baixista, para que a fosse levada mais a sério, foi quando Rodolfo convidou Canisso  para tocar com eles.  Tocaram pela primeira vez, em 1988, durante uma festa de ano novo, realizada em Brasília na casa do Gabriel (vocalista do Autoramas). A banda veio a se separar dois anos mais tarde, quando Canisso iniciou os estudos na UNB em direito e teve filhos. Digão, então baterista dos Raimundos, começou a tocar guitarra em decorrência de problemas auditivos, Rodolfo por sua vez, foi cantar na banda Royal Street Flesh.

A banda se reuniu novamente em 1992, com uma oportunidade de tocar em Goiânia. Nesse período, Digão estava na guitarra e sem um baterista, a banda chegou a tocar com uma bateria eletrônica. Como o resultado não foi dos melhores, os integrantes resolveram recrutar Fred, que na época era fã do grupo e inclusive estava presente na festa de réveillon onde a banda fez sua primeira aparição.

Em 1993, a banda gravou o seu primeiro demo tape (Músicas:01-Nêga Jurema, 02-Marujo, 03-Palhas do Coqueiro , 04-Sanidade), que foi extremamente bem recebido pelo público. Essa fita então chegou às mãos de Carlos Eduardo Miranda, então repórter da revista Bizz, que abraçou a causa da Banda. A demo rendeu convites para apresentações em diversos festivais, como o Junta Tribo (Campinas, São Paulo) e o Verão M2000 (Santos, São Paulo), onde tocaram para 80.000 pessoas, ganhando reconhecimento.

Em 1994 veio o primeiro álbum intitulado apenas como Raimundos, que conquistou as rádios e explodiu  com “Selim”. Para a maioria dos pais com filhos adolescentes daquela época, os Raimundos eram apenas quatro bocas-sujas que faziam muito barulho, mas eram uma nova geração do Rock Nacional, até então muito promissora. O então presidente do selo Banguela (O selo Banguela durou alguns anos e se despediu com a coletânea “Banguela Hits”, que incluía as bandas: Mundo Livre s/a, Raimundos, Little Quail, Graforréia Xilarmônica, Maskavo Roots, Kleiderman e Pravda.), então disse: “Não havia espaço para uma banda que tocasse punk rock e fizesse música com palavrão. Tinha tudo para dar errado”, lembra Digão.

A banda até poderia ter gravado antes, mas queriam mudar o som, retirando das letras os muitos palavrões e até chegou a ser proposto algumas aulas de dicção para o Rodolfo. Os membros resolveram esperar para então venderem cerca de 100 mil cópias, tocando “Nêga Jurema e “Puteiro em João pessoa” estourando nas paradas com”Selim” que alavancou as vendas daquele álbum.

O próximo álbum veio em 1995, intitulado “Lavo ta novo” e embalado por sucessos como “Eu quero ver o oco” e “Tora tora”, a banda ocupou a programação de muitas rádios. Nessa fase tornou-se internacional a turnê e a imagem de banda pesada, gozadora e pornográfica, fizeram dos Raimundos uma febre entre os adolescentes. Ainda durante essa fase, contou com participações em festivais como o Monsters of Rock e Hollywood Rock, onde se apresentaram em noites com a presença dos clássicos Motorhead e Iron Mainden, consolidando assim o sucesso da banda.

No ano de 96, lançaram um combo. Uma caixa intitulada ” Cesta Básica”. Nesta caixa havia  uma fita VHS com alguns clipes e cenas de shows pelo brasil afora, uma revista em quadrinhos chamada “Puteiro em João Pessoa ” com desenhos do grande  chargista e cartunista Angeli, e o cd que levava o mesmo nome da caixa. Com canções de estúdio e gravações ao vivo, Cesta Básica fortaleceu a imagem de forró-core dos Raimundos. De “Infeliz Natal” a “Palhas do coqueiro” o cd é um clássico para os fãs.

Dois anos mais tarde lançam o terceiro CD da banda, onde foram até Los Angeles para gravar Lapadas do Povo. Esse disco tem como destaque “Andar na Pedra”, que é uma regravação de Oliver’s Army, de Elvis Costello e mais uma versão, derivada dos Ramones, Pequena Raimunda(Ramona). Mesmo com as críticas elogiando, Lapadas do Povo vende menos do que os álbuns anteriores.

A fase não era boa e ainda, em um show na cidade de Santos, litoral de São Paulo, um dos alambrados onde o público saía caiu, provocando a morte de oito pessoas e 67 feridos. O desastre fez a banda cancelas todos os shows agendados e só voltaram a tocar dois meses depois.

Tentando esquecer os problemas ocorridos nos anos anteriores, a banda lança em 1999 Só no Forévis. Com um teor muito mais leve e bem humorado, esse disco teve roubadas cerca de 100.000 cópias e os fãs tiveram de esperar por mais uma semana para o lançamento oficial. Esse CD veio com a música “Mulher de Fases” que atingiu a grande mídia e ajudou a banda a ganhar o prêmio de Escolha da Audiência no VMB de 1999 e um convite para reproduzir uma canção de Fábio Jr., que seria usada como tema de abertura do programa MTV Brasil 20 e poucos anos. Surgiu também o convite para interpretar “Give my back bullet”, versão nacional da trilha do filme Missão impossível II.

Já em 2000, os Raimundos foram selecionados para abrirem um novo projeto da MTV Brasil. Lançaram então um CD e DVD ao vivo, registrando os shows da banda e também um especial na emissora. Lançado em outubro de 2000, o álbum contou com três novos hits, “Reggae do manero”, “Deixa eu falar” e “20 poucos anos”, vendeu 500.000 cópias.

Em Junho de 2001 foi anunciado o fim da passagem de Rodolfo pela banda, após longas conversas, ele deixou claro sua opção pelo evangelho e desde então a banda nunca mais foi a mesma.

Top 10 do Oazel pra lembrar dos tempos clássicos:

1. Puteiro em João Pessoa

2. Eu quero é ver o Oco


3. Tora Tora

4. Papeu Nuky Doe

5. Mato o veio

6. Carro forte

7. Cintura fina

8. Baile funky

9. Be a Bá

10. Esporrei na manivela

2 + comentários

  • […] des(d)enhas. Surgiu então Oazel Laranjeiras, o único pseudônimo que assina no site, textos de Raimundos à Novos Baianos. Oazel é pau pra toda pauta. Taric Fioravanti, designer gráfico de primeira, e […]

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