TOP 10 – Músicas por Demiro Ferrari

4 Postado por - 02/12/2013 - Música, obailetodo, Video

Nascido em Valinhos no ano 1982,  Demiro Ferrari vive na capital desde 2002, quando decidiu fazer faculdade de Publicidade e Propaganda. É vocalista de bandas de rock desde os 15 anos, guitarrista amador, autodidata do tipo tosco-mas-honesto e sócio-diretor da Santo Rock, grife de camisetas que mistura moda e criatividade para os verdadeiros apaixonados pelo Rock n’ Roll. Considera grandes feitos ter enfrentado uma multidão pra ver os Stones em Copacabana, dirigido de São Francisco a Los Angeles só pra conferir a banda cover do Doors no Whiskey a Go Go e inventado o Jumpin’ Jack Flash, um drink a base de Jack Daniel’s, Catuaba e energético que até quem odeia whiskey acaba gostando. Lamenta não ter visto James Brown e Michael Jackson ao vivo e acredita que os vícios fazem parte das virtudes assim como os venenos dos remédios.

TOP 10

“Cara, Top 10 é aquela coisa: monte sua lista de escolhas que as pessoas vão amar ou odiar. Então acho melhor encarar isso como um recorte, uma fotografia de 10 das músicas e momentos que transformaram a minha vida. São aquelas que no segundo em que eu ouvi pela primeira vez, imediatamente se tornaram clássicos. Músicas que mudaram a minha perspectiva, arrepiaram até a alma e, por isso, ainda me influenciam muito toda vez que eu ouço.”

“Under pressure” Queen

Queen e Bowie são universais. Mesmo que hoje você odeie a música deles (se é que é possível “odiar”), vai adorar um dia, garanto. Os dois juntos então, o que esperar? Pra resumir a minha visão sobre essa obra, vou repetir uma frase que disse na semana passada: “Se algum dia eu for capaz de compor e gravar uma música com a riqueza vocal e a qualidade de ritmo/vibe de Under Pressure, posso parar tudo e gritar pro mundo “Pronto, zerei a vida.”

 

“Seek and destroy” Metallica

Metallica é uma daquelas bandas que realmente merecem cada centavo que já ganharam (com ou sem Napster). Haters vão xingar a fase do Load ou dizer que hoje em dia já não é a mesma coisa. Azar o deles. Uma banda absolutamente necessária na trilha sonora de qualquer um que realmente sabe o que é Rock n Roll e ponto final. Seek and destroy foi a primeira música que ouvi deles, com 16 anos ainda (ou algo assim), em uma época em que o meu referencial de guitarra e banda de Rock era Bon Jovi. Sem querer desmerecer o BJ, mas dá pra imaginar a pancada que o meu “eu-moleque” levou na orelha, né?

 

“Hurt” Johnny Cash

OK, estou roubando no jogo aqui pra poder falar de Cash e Nine Inch Nails no mesmo item, me processe. Ia colocar “Ring of fire” ou “25 minutes to go” do Cash, mas preferi essa por um motivo especial. NIN não é uma unanimidade, mas possui diversas músicas animais como “Every day is exactly the same” e “The begining of the end”. Só que aqui, essa “parceria” inesperada com o Cash vai além, a ponto de realmente te afetar, emocionar. Se você conhece a história de vida dele, vai ter a impressão de que a canção foi escrita sob medida, mesmo não sendo. Com isso em mente, desafio qualquer um aí com um mínimo de sensibilidade ouvir até o fim e não terminar com um pingo de lágrima nos olhos. É o que essa versão da música faz com você. E se isso não for arte, eu não sei mais o que é.

 

“Given to fly” Pearl Jam

Ter que escolher uma só música do Pearl Jam deveria ser considerado um crime. Porque é. Mas resolvi colocar aqui uma que não é tão conhecida, mas é tão boa ou até melhor do que os grandes clássicos da banda. Simples e ainda assim completa, ela vai da suavidade dos vocais graves do Eddie Vedder no verso, à explosão de energia do refrão com uma naturalidade assustadora. A harmonia entre o riff, o timbre da guitarra, a letra inspirada e o ritmo cativante prova claramente quanto o Pearl Jam é uma banda essencial para qualquer playlist. Ouvir e não cantar junto é uma tarefa que, pelo menos pra mim, já se tornou impossível há muito tempo.

 

“The fight song” Marylin Manson

Permita-se ouvir Marylin Manson livre de piadinha, preconceito ou mimimi. Não se sinta agredido pela maquiagem, o salto alto e o couro. Leve a parada a sério e você vai descobrir uma obra rica e bem diferente, construída em cima de qualidade melódica e estética, apoiada nas críticas ácidas constantes das letras. É um painel de ideias densas, inteligentes, cheias de metáforas e que conversam diretamente com as almas mais perturbadas. Por isso, é complicadíssimo escolher uma música só. Mas essa é ótima pra começar, misturando os elementos sonoros e energia pulsante que o cara tem de melhor. Recomendo emendar em “Mechanical animals”, “Rock is dead” e “Disassociative”.

 

“Something for the pain” Bon Jovi

Em 1995 eu estava na sexta série e foi quando ganhei o “These days” do Bon Jovi. Engraçado pensar que nessa época o amigo secreto era realmente secreto, até no presente. A surpresa era real, o que não necessariamente era uma coisa boa. Não tenho lembranças do que eu ouvia antes disso, talvez o meu ouvido obsoleto escutasse qualquer coisa que tocasse na rádio, pinico das 7 melhores da Pan. Mas veio aquele presente inesperado e lembro perfeitamente do quanto fiquei intrigado, devorando o encarte, tentando entender as letras no caminho pra casa. Cheguei, coloquei o CD no som e ouvi direto por três vezes seguidas. Na quarta eu mesmo já era um rockstar e “Something for the pain”, “Hey god”, “This ain’t a love song”, “My guitar lies bleeding in my arms” e “Something to believe in” se tornaram a trilha sonora dos meus 13 anos… por um bom tempo.

 

“Dog days are over” Florence & The Machine

Quem cresceu ouvindo os monstros da música dos anos 80 e 90, chega aos anos 2000 sem saber onde se apoiar e corre o risco de se tornar um saudosista insuportável. Qual a próxima grande banda boa? Qual o próximo hit universal? O bug do milênio talvez tenha sido esse e a implosão do mundo da música (tanto criativa quanto comercialmente) tornou essas perguntas sem sentido. A partir dali, tudo ficou simultâneo e customizado. A oferta de bandas veio aos montes, do mundo todo. Muitos vão cair no erro de afirmar que não existem mais grandes bandas novas, com qualidades e diferenciais verdadeiramente únicos. Minha resposta pra isso está aqui representada por “Dog days are over”, mas poderia ser “Reptilia” do Strokes, “Lonely boy” do Black Keys, “I bet you look good on the dancefloor” do Arctic Monkeys, “Time is running out” do Muse, enfim, a lista é longa. Então, se você é como eu e tem um pé no passado e o outro no presente, guarda o CD do Van Halen, só dessa vez e deixa o mp3 ou o vinil (se você for hipster) da Florence te surpreender.

 

“Mirror mirror” Blind Guardian

Blind Guardian surgiu na minha vida em meados de 1998, quando eu achava que nada mais no heavy metal podia surpreender. Foi ali que a minha sabedoria limitadíssima de adolescente pretensioso foi pro chão. A pancada veio em dobro no fundo da sala de aula, com “Into the Storm” que me deixou de boca aberta. A fita cassete montada por um colega emendou em “Mirror mirror” e eu fiquei ali, com cara de bobo, sem entender como guitarras e vozes podiam fazer tudo aquilo. Acho que devo ter passado os dois meses seguintes ouvindo só a discografia do Blind Guardian. Não queria ouvir mais nada. Aquela intensidade doentia que só a adolescência te proporciona, sabe?

 

“I wish” Infected Mushroom

Do metal direto pro eletrônico. Apesar dessa ser uma das antigas, coisa de vovô do psy, ela marcou muito uma época. Se fosse possível pontuar o nascimento da música eletrônica na minha vida, essa seria a escolhida. O que me intriga é ver que essa dualidade, de dividir a atenção das pessoas com o Rock é mais comum do que se imagina, mas até hoje não entendi bem a relação (talvez alguma brecha que o Pink Floyd ou o Prodigy tenham dado). Esqueça Tiesto e David Guetta. “I wish” é da época em que o eletrônico unia o mainstream e o underground harmonicamente. E sim, a grama era mais verde nessa época. Pode me chamar de purista do psy ou saudosista se quiser, eu não me importo. Mas ligue o sub, coloque o som no talo e deixe essa faixa tocar.

 

“Lit up” Buckcherry

Como deixar AC/DC, Aerosmith, Guns n Roses e Foo Fighters fora de um Top 10? Resolvi cometer esse pecado mortal pra não repetir outros Top 10 que estão por aí e que ainda virão. Assim, posso aproveitar a oportunidade e compartilhar uma das melhores surpresas que tive nos últimos anos: Buckcherry (juntamente com Black Spiders e Texas Hippies Coallition). Sabe aquele tesão adolescente de devorar toda a discografia de uma banda em um só dia? De ouvir aquela música dos caras até gastar o CD, ou sua mãe entrar no quarto berrando e desligando o som? É isso o que te espera depois do play! Mas já aviso: Hard Rock pode causar dependência se consumido em overdoses de volume alto.

http://www.youtube.com/watch?v=klkAIv3lyG0

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