Undertopia #15 – ESPECIAL COQUETEL 90 – 21 de outubro de 2013

2 Postado por - 28/10/2013 - Audio, obailetodo, Podcasts

Undertopia é um programa de música alternativa, destinado a quem gosta de som com um pouco de papo furado e sem preconceito. Os estilos musicais incluem: gótico, punk, ethereal, new age, darkwave, technopop, electro, EBM, neoclássico, enfim, todo que possa ser bom e possa ser classificado como alternativo.

Semanalmente, às 2as feiras, um programa inédito vai ao ar pela rádio Enter The Shadows, com reprise aos sábados às 12:30hs.

O Na Lupa amplia o foco e prolonga a vida do programa, hospedando os arquivos para quem não teve a chance de ouvir, ou para quem quer ouvir de novo.

Para mais informações, curtam a página do Undertopia no Facebook ou mandem e-mail para programaundertopia@gmail.com.

 

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Undertopia 15 – Especial Coquetel 90

 

Retratos de todos nós: um breve texto sobre Coquetel 90.

 

Da carteira de habilidades que nos são distribuídas, pelo olhar míope e negativo que tenho, posso duvidar de quase todas, menos da de escrever.

Não é uma questão de excesso de segurança ou vaidade, o fato é que desde muito tempo para mim, escrever é mais simples que falar.

Hoje, não devo ser mais tão apaixonado quanto fui um dia, entretanto, é da minha natureza registrar, logo, faz sentido minha formação: historiador; faz sentido meu hobby hoje abandonado: mestre de AD&D, faz sentido até minha profissão, gestor: pragmático e paranoico.

Muitas vezes, escrevo para organizar meu pensamento, para higienizar a mente e às vezes até mesmo para “deixar pra lá”.

Depois de muitos anos escrevendo poesia ruim, dissertações razoáveis e por fim um livro de prosa (o Ian), com texto complicado demais para editar, coloquei para mim o desafio de tentar fugir do estilo de cavalaria que fantasiei um dia ser ideal. Daí que para exorcizar os Camões, Gil Vicentes, Cervantes, olhei para trás, para minha própria adolescência e juventude adulta, e ali estava a homenagem que eu queria prestar.

 

Delicados anos 90, anos de reconstrução e reinvenção do Brasil, de uma juventude experimental; não tão engajada quanto a dos anos 80, mas certamente mais livre para escolher num mundo além do bem e do mal, sem muro de Berlim, com Guerra do Iraque, sem o peso do estigma do medo latente. Os 90 sinalizaram estabilidade, curas, inícios de combates de aceitação da diversidade, com batalhas vencidas inclusive.

Os 90 foram uma década fundamentalmente urbana e o clamor do ataque veio com a voz metálica de alguns jovens de Seatle, de alguns jovens do mangue de Recife, citando só esses entre tantos. Década de descobertas e confrontos da pseudo-inocência da infância dos anos 80 com um mundo cru, movido por grana e trabalho.

 

Aprendi que qualquer porcaria que você escreva diz respeito a você; nesse nível, e apenas nele, obviamente que Coquetel 90 é autobiográfico, lógico que possui referências ao que vivi, mas é fundamentalmente uma deferência, uma mesura na forma de elegia que faço a esses anos fantásticos: quando comecei a faculdade, comecei a trabalhar, quando comecei a amar e a sair da casca.

Nenhuma personagem é real; refiro-me à literalidade: eu não sou o Fernando, não apenas; sou todas as personagens, pois não escrevi para homenagear ou magoar a mim mesmo ou a ninguém, escrevi porque achei que seria bom lembrar, seria bom verificar se exsudara a parte ruim e guardara tudo que brilhou.

 

Apesar de tratar de um grupo que possui características hábitos peculiares, o livro pretende-se um universal no que se refere às descobertas da adolescência, sem ser um livro adolescente ou para adolescentes.

 

A história não trata de nada além de tentativa e erro, tentativa e erro… E assim, vão sendo apresentadas as situações para que as personagens lidem e estas, são mimetismos de adultos e de traços interessantes das mais variadas personalidades, numa narrativa onde de fato a única vilã é a consciência, antagonista intensa que se não derrota, modifica permanentemente aos que toca. O mais interessante em ter escrito sobre isso, foi entender que tipo de traço eu inconsciente ou conscientemente salvei ou condenei.

 

Coquetel 90 permite várias leituras, os poucos leitores que deram retorno sobre ele, passaram impressões muito diferentes que tiveram; muito diversas inclusive da intenção que tive redigindo.

 

É assim mesmo que tem que ser, escrevemos para o outro e eu humildemente espero que se lhe interessar, sua experiência seja grandiosa, como grandiosa foi a de tê-lo escrito e de ter, de certa forma, fotografado aquele tempo.

 

O livro teve inicialmente uma tiragem limitada,mas agora está disponível para download na Amazon

e pode ser lido por qualquer um com o aplicativo ou book-reader do Kindle.

Você o encontra nesse link.

 

“Reader meet Author

With the hope of hearing sense

But you may be feeling let down

By the words of defense

He says: “No-one ever sees me when I cry””

MorrisseyReader Meet Author

“Escrever te dá a ilusão do controle, até que você percebe que é só uma ilusão, que as pessoas irão trazer suas próprias impressões para dentro do que você escreveu”.

David Sedaris

 

1. The Cure – Pictures of You (Live)

2. Joy Division – Love Will Tear Us Apart

3. Happy Mondays – Loose Fit

4. Bel Canto – A Shoulder To The Wheel

5. Orchestral Manoeuvres In The Dark – Tesla Girls

6. The Rocky Horror Picture Show – The Time Warp

7. Echo & the Bunnymen – Lips Like Sugar

8. Love Spirals Downwards – Write in Water

9. Chateau de Joie – You

10. Opera Multi Steel – Spacio Astro

11. Ethan James – The Last Believer

12. Wolfsheim – Lovesong

13. Poesie Noire – No Beach

14. Type O Negative – Wolf Moon

15. The Smashing Pumpkins – Zero

16. The Cranberries – When You’re Gone

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