Undertopia #30 – 24 de fevereiro de 2014

1 Postado por - 03/03/2014 - Audio, obailetodo, Podcasts
[US nuclear weapons test at Bikini in 1954, de International Campaign to Abolish Nuclear Weapons. Compartilhado sob a licença Creative Commons.]

 

Undertopia é um programa de música alternativa, destinado a quem gosta de som com um pouco de papo furado e sem preconceito. Os estilos musicais incluem: gótico, punk, ethereal, new age, darkwave, technopop, electro, EBM, neoclássico, enfim, todo que possa ser bom e possa ser classificado como alternativo.

Semanalmente, às 2as feiras, um programa inédito vai ao ar pela rádio Enter The Shadows, com reprise aos sábados às 12:30hs.

O Na Lupa amplia o foco e prolonga a vida do programa, hospedando os arquivos para quem não teve a chance de ouvir, ou para quem quer ouvir de novo.

Para mais informações, curtam a página do Undertopia no Facebook ou mandem e-mail para programaundertopia@gmail.com.

 

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Undertopia 30

Alguém de vocês discorda que vivemos em franca crise?

 

fist. Compartilhado sob a licença Creative Commons

Não presto muita atenção nas coisas até que elas se tornem suficientemente desconfortáveis para eu percebê-las e acho que isso é bem condizente com a média das pessoas, mas cada dia mais, tenho feito menos esforço para entender que o Brasil foi jogado no saco e está sendo enterrado, ainda que atordoado; vivo.

Considero-me uma pessoa crítica, não acredito cegamente em nada, penso-me naturalista distópico: acho que as microssociedades nucleares, a dissolução de todo macrossistema econômico e a regressão ao mundo e às relações naturais não especulativas (viva, organize-se de forma a gerar o máximo de felicidade possível para seu grupo, trabalhe, produza, use, troque) são as poucas armas que possuímos para efetivamente desacelerarmos nossa autodestruição e termos a chance de repensarmos questões gigantescas, como por exemplo; a sociedade de consumo.

Não sou progressista, o capitalismo é a chave da perversidade. Não sou socialista tampouco; por muito tempo confundi meu naturalismo político com socialismo, mas, socialismo no final revelou-se apenas um capitalismo travestido, com mais discurso, mais pão e circo, pouco óleo nas engrenagens, pouca gente suando, muita gente parada e hipnotizada, sendo alimentada e respirando por sondas (lembram do “gato bonsai”!? Temos no Brasil o “povo bonsai”) e muita, mas muita corrupção.

Não sou um xiita eco-chato, sou ecologicamente sensato. Acho que, se estamos aqui e nos reproduzimos ao nível que chegamos, devemos utilizar recursos, entretanto repondo de forma idêntica ou maior os que são possíveis e protegendo ao máximo de degradação e poluição o restante.

undertopia 30b

Sadness – Compartilhado sob a licença Creative Commons

Embasado e defendido isso, olho para as ruas e quase tudo o que vejo é infelicidade (que não é necessariamente tristeza) e miséria moral traduzida no conformismo ácido do “fazer porque tem que fazer, mas se tivesse dinheiro… mandava tudo pro espaço!” E “tudo” cada vez mais me parece tudo mesmo. Não importa a faixa social, a maioria de nós vive na tensão do desejo pelo dolce far niente remunerado. Por que chegamos nesse ponto? Porque vivemos em um período de niilismo exacerbado e educação média muito ruim quando somos condicionados a não enxergar nada além do que se nos coloca imediatamente diante das fuças e isso resume-se à satisfação comprável com IPI reduzido e às fotos da “alegria” que queremos mostrar, compartilhada no Facebook.

Viramos a massa, uma massa enorme, pouco nutritiva e pouco eficiente, que exige apenas que se deixe exercer o “direito de ser feliz” que aparentemente todo mundo tem e o reconhecimento superficial pela posse ou pela exposição de uma “especialidade” que qualquer outro pode adquirir; em troca de uma enxurrada de impostos que alimenta uma gorda e pulsante larva e todas cafetinas sujas que lambem seu visco, que são nosso governo e seus chupins.

Ser diferente pra quê? Trabalhar duro e seriamente pra quê?

Mesmo com multidões nas ruas, o Brasil continua sendo o país da inércia; viramos o filho de pai rico (somos todos os filhos do Lula… só que sem a mesada e as vantagens do de fato)

Flamethrower - Compartilhado sob licença Creative Commons

Flamethrower – Compartilhado sob licença Creative Commons

Porque eu desprezo manifestações? Porque ainda que nela tenha quem acredite em uma mudança para o bem coletivo, a grande maioria não está nem aí para isso; as fés políticas (porque hoje em dia ou você é “alienado” ou é crente e missionário dos partidos) impregnam o movimento social natural; a manifestação popular transforma-se no rolezinho da ostentação politicóide.

O que querem os partidos? Manter-se no poder para beneficiar a si e aos seus. A política transformou-se na garantia dos direitos de poucos e a reafirmação dos deveres de muitos, a democracia brasileira é baseada no silêncio popular, comprado pela lavagem governamental jogada em nossos cochos, nutrindo dedos adestrados para digitar números e confirmar no verde; e a cobra morde a si própria.

Qual a solução?

 

Uma nova Idade Média.

 

undertopia 30c

Ninguém disse que a solução tem que ser boa.

O objetivo da vida é biológico, notem que só não é para o ser humano, porque ele acha que não é.

Deixa rolar a natureza; quem tiver que ser será; verdade que seria muito triste e provavelmente eu mesmo não sobreviveria, mas se é pra alguém viver bem e feliz um dia; porque não!?

Ah! Esqueci! Vivemos na era do EU onde toda importância do universo podem ser contidas pela minha pele.

Não tenho mais paciência para essas coisas, desconfio muito dessa realidade onde tudo o que eu posso fazer é me preparar e ajudar os meus a se prepararem para o pior, da melhor maneira possível.

 

1. The Doors – The End

2. Paralysed Age – End Of The World

3. Kirlian Camera – In The Endless Rain

4. Emiliana Torrini – Dead Things

5. Cranes – Are You Gone?

6. Anneli Drecker – My Emily

7. Lacrimosa – Schakal

8. Vita Noctis – Hade

9. Violeta de Outono – Noturno Deserto

10. Legião Urbana – Vento No Litoral

11. Sarah Brightman – Dust In The Wind

12. Persona – Tempos Intensos

13. Hope Sandoval & The Warm Inventions – Clear Day

14. Opera Multi Steel – Délire Dans La Douleur

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